Editorial
Editorial nº 023
23 de Fevereiro de 2010 | por Revista Wave

Quando conclui o texto principal desta edição - o Ensaio sobre o Tédio e o Medo da Eternidade -, senti-me completamente desgastado. Toda vez que nos sujeitamos a projetar análises sobre perturbações que incomodaram a Humanidade através dos séculos, precisamos trabalhar com todo rigor na pesquisa e compreensão do objeto estudado. Porém, certas respostas jamais aparecerão aos nossos olhos, ainda que a eternidade seja usada para procurá-las.

Evito usar conclusões místicas ou metafísicas em meus textos. Sei o quanto isso incomoda o intelectual de formação sociológica, de tendências marxistas (a Escola do Ressentimento, diria Harold Bloom), mas, por vezes, resta-nos apenas o temor a Deus e o respeito à previsão bíblica, que antecedeu em séculos os maiores questionamentos do homem.

O que os estudos e a sabedoria da literatura, da filosofia e da psicanálise e o conhecimento histórico podem concluir é aquilo que Salomão escrevera no livro de Eclesiastes: “Há alguma coisa que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós”. Teses da sociedade contemporânea são, na maior parte das vezes, pura bobagem: o teor profundo dos questionamentos que movem o íntimo humano pouco tem a ver com estúpidas tendências teóricas. “Vaidade, tudo é vaidade”.

Busquei repartir tais reflexões no ensaio principal sobre o tédio e no artigo sobre a sinceridade religiosa. Peço que os textos não sejam lidos como teorias acadêmicas, mas, pelo contrário, possam ser apreciados como apêndices de conhecimento na análise pessoal e solitária de cada leitor.

Para complementar os textos principais, recomendo também minha breve homenagem ao cineasta Ingmar Bergman, provavelmente o diretor de cinema que melhor soube expor os desejos, os traumas e as repressões intimamente existenciais em uma obra de alcance universal.

Uma boa leitura, e que Deus nos abençoe.

Daniel Faria
Editor-chefe

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3 comentários

  1. alene frota diz:

    pelo contrário, vale ponderar…
    por que nossos quentionamentos atuais seriam tão diferentes dos da época da escrita bíblica? o que é medo, desejo, fome, e beleza? será que aos nossos olhos esses valores - e consequentemente suas questoes e implicações - mudaram tanto? o homem é, acima de todas as presunções materialistas ou religiosas, um animal de necessidades. um animal de instintos.

    vc está fazendo da wave, que ao meu ver seria um compêndio da opinião de seus colaboradores, uma plataforma para suas convicções pessoais, religiosas; convicções de um jornalista batista.

    não leve a mau minha opinião, também sou uma pessoa de fé, só acho que devemos erguer barreiras para não invandir espaços anteriormente destinados aa cultura…digo melhor, será que seus leitores realmente se interessam por tanta escrivinhação teológica?

  2. admin diz:

    Alene, Suas ponderações são pontuais, e talvez seja esta a minha oportunidade para esclarecer algumas questões. A Wave não é e nunca foi um ‘compêndio da opinião de seus colaboradores’. Criei o site sozinho, edito todos os textos e tiro do meu bolso o custeio de mantê-lo no ar. Parece uma plataforma para minhas convicções pessoais? Mas é exatamente isso! Não é mais uma publicação jornalística, ainda que tenha surgido com tal intenção. Claro, o trabalho dos colaboradores é fundamental, mas irei publicar apenas aqueles textos que se encaixem em uma linha editorial pré-determinada. Por mim.

    Além disso, não creio que religião e cultura sejam temas tão distantes assim. Nesta edição, por exemplo, temos Bergman (que usou o tema ‘Deus’ na maioria de seus filmes), temos o Caso Dreyfus (um escândalo político envolvendo um judeu) e temos uma resenha sobre A Fita Branca, de Michael Haneke (que tem a repressão religiosa como uma das ideias centrais do filme), não contando, é claro, o texto principal sobre a questão do Tédio. A religião e a cultura estão intrinsecamente ligados, quer queiramos ou não.

    Pode-se argumentar que minhas convicções estão se sobrepondo a uma análise equilibrada dos objetos estudados. Terei que concordar. Você diz que sou um jornalista batista. Prefiro dizer que, para além do fato de estudar jornalismo e de admirar a crença batista, sou um escritor que se utiliza de um espaço criado por mim mesmo para expressar opiniões a respeito de situações, pessoas, filmes, músicas, o que seja, que tenham me causado alguma forte impressão. Os leitores se interessam por isso? Não sei dizer. Salinger se dizia aliviado por não ter que publicar o que escrevia. Deveria fazer o mesmo?

    Penso, enfim, que é melhor perder alguns leitores (e ganhar outros novos) escrevendo o que quero do que me obrigar a refletir demais com a opinião de cada um. Mesmo porque não há consensos, nem na arte, nem na religião.

    Em relação ao seu primeiro parágrafo, em momento algum escrevi que os nossos questionamentos atuais são diferentes da época bíblica. Pelo contrário, citei até o livro de Eclesiastes (“Há alguma coisa que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós”) para corroborar com minha teoria de que tudo é transitório, porém circular.

  3. a. frota diz:

    me enganei entao. por ser so uma plataforma para suas opinioes, rapaz trabalhador que custeia a revista, nao eh mais de meu interesse ler a respeito de suas conviccoes pessoais.

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