Editorial
Editorial nº 019
10 de Agosto de 2009 | por Revista Wave
Ver, ouvir, cheirar, provar, tocar. Em artigo publicado na revista The Atlantic Monthly, o escritor inglês Martin Amis usava-se do termo legitimidade para definir a literatura do judeu Saul Bellow. Quando a ficção russa, tão robusta no começo do século passado, fora varrida da face da terra pelos stalinistas e a ficção francesa passaria a enveredar por periferias filosóficas e ensaísticas, coube à ficção judaico-americano assumir as rédeas da literatura mundial.
Segundo Amis, é possível resumir as preocupações dos romancistas judeus-americanos em uma única expressão: “shiksas” (literalmente, “coisas detestáveis”). O fascinante e perigoso conflito entre as tradições judaicas e as inevitáveis tentações materialistas do american’s way of life criavam o vigor, o egocentrismo e a angústia dos livros de Philip Roth, Bernard Malamud e o já citado Saul Bellow, alguns dos maiores escritores dos nossos tempos.
Na capa da décima nona edição da Revista Wave, apresentamos os primeiros capítulos da novela Hannah & Itche, da escritora Sarah Ribeiro Warjde. Sarah é descendente de judeus. Conheci-a por uma preferência musical em comum: o poeta e compositor Leonard Cohen, também judeu. Ao ler a criação literária de Sarah, encontrei-me frente a um absurdo talento literário. Penso, humildemente, que a Revista Wave não é o lugar ideal para publicar os shiksas e os temperamentos angustiosos dos personagens criados por Sarah. Sua intensidade autoral merece voos mais altos. De qualquer maneira, é imenso prazer poder expor tanto talento nas páginas deste site.
Outra artista judia é a cantora e pianista Regina Spektor, destaque da seção Música desta edição. Regina compôs talvez uma das mais emblemáticas canções sobre o ateísmo já feitas, “Laughing With”, em seu novo disco, Far. Suas inquietações espirituais transcendem o mundo musical. Bela, jovem e criativa, não acredito que haja outra artista que possa superá-la na década que já se aproxima de seu desfecho.
Para completar a mais feminina e literária edição da história da Revista Wave, a colaboradora Renata Penzani e a colunista Carol Bataier presenteiam os leitores com o incrível conto “O Menino Suéter” e a reportagem “Versos entre grades“, digna da alcunha de jornalismo literário, sobre uma visita a um presídio feminino. Se o prazer do leitor ao ler tais textos for minimamente parecido com o que tive ao editá-los, todo o trabalho já será plenamente compensado.
Aquele abraço, e que Deus nos abençoe.
Daniel Faria
Editor-chefe


13 de Março de 2010 às 9:40
por, favor, gostaria de receber uma revista wav, mas sou de são carlos…