Editorial
Edição nº 018
11 de Junho de 2009 | por Revista Wave
“A política se dá na rua”. “A emancipação do homem será total ou não será”. “Fim da liberdade aos inimigos da liberdade”. “É proibido proibir”. Os slogans escritos nos muros de Paris, nas faculdade de Sorbonne, Nanterre e Belas Artes e aos arredores do Teatro Odéon e dos Boulevards Saint-Michel e Saint-Germanin, no idealista ano de 1968, erraram. Estavam equivocados.
Em 1969, os protestos dos estudantes e dos operários eram violentamente reprimidos pelas autoridades. A censura limou a liberdade dos inimigos dos “inimigos da liberdade”. A proibição agora era regulamentada e implacável. E a “emancipação total do homem”, como todos sabemos, não aconteceu.
Muito se falou sobre 1968. A invejável motivação juvenil, os protestos contra a Guerra do Vietnã e o governo Nixon, a passeata dos Cem Mil, a revolta estudantil europeia. Pouco se fala, porém, da ressaca e do desencanto de todo esse espírito revolucionário, em 1969.
1969 é o ano que Emílio Garrastazu Médici toma posse como Presidente do Brasil e instaura a mais violenta repressão policial e cultural da ditadura militar do país. É o ano que membros da seita de Charles Manson iniciam série de assassinatos sanguinários em nome da contracultura. É o ano do seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick pelos militantes do Movimento Revolucionário 8 de outubro.
Uma série de fracassos e atitudes impensadas em 1969 simbolizariam a desilusão da aventura festiva de 1968. Gustavo Padovani e Felipe Arra, editores da Revista Wave, analisaram os principais fatos e personagens deste desalentador ano e preparam um especial sobre os 40 anos de 1969. O resultado está espalhado nas páginas da nossa décima oitava edição.
Comentem, espalhem, discutam. “Escrevam por toda parte!”, como diriam os estudantes franceses de 68.Aquele abraço, e que Deus nos abençoe.
Daniel Faria
Editor-chefe

