Personagem
1969 - Manson e Vladimir
11 de Junho de 2009 | por Revista Wave

ESPECIAL 1969 - PERSONAGENS

O serial killer Charles Manson e o ativista Vladimir Pereira representam, respectivamente, a insanidade e a energia juvenil do fim da década de 60

por Felipe Arra

SÍMBOLO DE RESISTÊNCIA

Vladimir Palmeira discursa na Passeata dos Cem Mil; ativista passou longe de ser coadjuvante na luta contra a Ditadura no Brasil

Nascido em 11 de dezembro de 1944 em Maceió, Vladimir Gracindo Soares Palmeira é membro de uma família tradicional na política alagoana. Seu pai foi deputado constituinte em 1946 e permaneceu no Congresso, sempre pela UDN, até 1968, quando morreu. Um irmão de Vladimir, Guilherme, governou o Estado.

Militante de esquerda desde os 16 anos, Palmeira conta que fazia “política em tempo quase integral”. Ele se destacou como líder estudantil ao organizar a “Passeata dos Cem Mil” em junho de 1968.

Foi preso três vezes, inclusive no Congresso da UNE em Ibiúna, em outubro daquele ano. Em setembro de 1969 saiu da prisão (foi um dos 15 detidos trocados pelo embaixador estadunidense Charles Elbrick, então sequestrado pela luta armada) para o exílio. Vladimir conta que não foi torturado na luta contra o regime. Tomou apenas “uns tapas”.

Nos dez anos seguintes morou no México, em Cuba, no Chile e na Bélgica, onde formou-se em Economia pela Universidade de Bruxelas.

Filiou-se ao PT e, nele, apareceu ao lado de José Dirceu como um dos poucos militantes cujas origens estão no imediato pós-1964 e no movimento estudantil - e não nas fábricas e sindicatos ou na academia.

Escolhido pelo partido para concorrer ao governo do Rio de Janeiro em 1998, teve sua candidatura posta de lado pela aliança PT/PTB, que lançou Anthony Garotinho. Conseguiu concorrer de fato em 2006, sem sucesso.

SANGRENTO SINAL DOS TEMPOS Como Charles Manson e sua gangue desferiram um dos maiores golpes na Contracultura

“Serial Killer”, “Sociopata”, “Vítima do sistema”. Muito já foi dito quando o assunto é Charles Manson, mandante de diversos assassinatos em 1969 na Califórnia.

Seu nome é associado a um assassino de expressão pesada, um dos maiores responsáveis pelo medo no final dos anos 60. Seus crimes e ideias foram dos maiores socos no estômago que a Contracultura tomou ao longo dos anos.

Filho ilegítimo de mãe promíscua e alcoólatra, em meados dos anos 60, Manson se fez valer de retórica singular e atraiu um grupo de seguidores, muitos deles jovens mulheres com problemas emocionais. O “guru” destruiu suas inibições e noções de bem e mal, LSD e anfetaminas como temperos na combinação. O grupo ficou conhecido como “A Família”.

Charles Manson era fanático pelos Beatles, e acreditava que os ingleses eram anjos que avisaram os homens sobre o apocalipse, e que haviam feito isso através do “Álbum Branco”, de 1968. As canções, segundo a interpretação de Manson, citavam suicídio (“Yer Blues”), sons do Armageddon (“Revolution #9”), destruição (“Revolution #1”) e guerras raciais (“Helter Skelter”, “Piggies”, “Blackbird”).

Armado com esse arsenal de insanidade, Manson organizou chacinas, a mais famosa na casa da atriz Sharon Tate, que foi assassinada, assim como seus amigos que lá estavam. Com o sangue das vítimas, os membros da “Família” escreveram nas paredes nomes de canções dos Beatles.

Os crimes da gangue de Manson são um capítulo decisivo na história cultural dos anos 60. Os Beatles, que pregavam que “All you need is Love”, se viram atrelados a crimes cometidos por deturpadores de suas canções. Mesmo com Manson e companhia condenados à morte (que mais tarde virou prisão perpétua), o sinal dos tempos era claro: alguma coisa estava fora da ordem “Paz e Amor”.

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Felipe Arra, 22, deveria ser lateral-esquerdo da seleção brasileira, mas não chegou nem perto. O fracasso no futebol deixou sequelas mentais: virou torcedor fanático do Newcastle, da Inglaterra. Faz faculdade de jornalismo, mas já aprendeu muito mais com Richard Ashcroft, Woody Allen e José Saramago do que com todos os seus professores juntos. E-mail: felipaines@gmail.com

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