Editorial
Editorial nº 017
4 de Maio de 2009 | por Revista Wave
Para Caetano Veloso, apenas praticar a arte nunca foi suficiente. É necessário teorizá-la, recorrer a referências mil, dar maior ênfase à ideia que ao resultado em si. Analisar uma obra do “crítico dos críticos” é, portanto, tarefa das mais difíceis. Porque Caetano fez exatamente o disco que queria fazer em Zii e Zie, o aguardado sucessor de Cê, de 2006.
Cê foi o álbum que renovou as plateias do baiano. O disco que o aproximou definitivamente da linguagem rock. Letras diretas e concisas, instrumental mínimo mas eficiente. Foi sua obra de melhor recepção de crítica em muito tempo.
Como se não bastasse a exigência de atingir o mesmo nível do disco anterior, Caetano ainda encheu seu público de expectativas ao detalhar cada momento de composição, ensaios e discussões a respeito de Zii e Zie em seu blog, o Obra em Progresso. Aos 67 anos, ninguém na música nacional pareceu entender tão bem a internet quanto Caê.
Como grande admirador da obra do filho de Dona Canô, demorei a formular minhas próprias opiniões a respeito do novo disco e repassei a tarefa de analisá-lo para o amigo Felipe Teram, que o fez de maneira muito mais competente e inteligente do que eu poderia esboçar. O resultado pode ser conferido na matéria especial desse mês aqui na Revista Wave.
Que, aliás, está novamente passando por um período de mudanças. Como Caetano, pretendemos assimilar e incorporar tudo que a cultura do nosso veloz tempo tem a nos oferecer. Em breve, portanto, mais qualidade e dinamismo para você, meu caro amigo leitor.
Aquele abraço
Que Deus nos abençoe.
Daniel Faria

