Música
Classic Rock
6 de Outubro de 2008 | por Revista Wave

Com Dig Out Your Soul, sétimo disco de estúdio do Oasis, banda dos irmãos Gallagher vira instituição estável do rock inglês

por Daniel Faria

Quando despontou no Santos como o principal destaque da conquista do Campeonato Brasileiro de 2002, Robinho foi alvo da comparação mais absurda possível no mundo futebolístico. Não foram poucos os que viram naquele jovem negro e talentoso a mais completa tradução do Rei Pelé, o maior jogador de todos os tempos, que me perdoem os delirantes argentinos. Em 2008, contratado pelo Manchester City, time de menor expressão da Inglaterra, e após decepcionantes atuações pela seleção brasileira, a comparação ficou ainda mais esdrúxula, se é que alguém ainda acredita nela.

Há mais em comum entre os ingleses do Oasis e Robinho além do fato dos irmãos Gallagher, os líderes da banda, serem torcedores fanáticos do Manchester City. Assim como o ex-jogador do Santos sofreu com comparações prematuras, o grupo foi alvo (totalmente endossado pelos próprios, é bom frisar) da mesma síndrome comparativa.

Após dois excelentes discos, Definitely Maybe (1994) e (What’s The Story) Morning Glory? (1995), que resgatavam o melhor da tradição roqueira britânica, a banda foi encarada pela deslumbrada imprensa de seu país - com ressonância no resto do mundo, inclusive no Brasil - como os herdeiros diretos dos Beatles, a maior banda de rock de todos os tempos. E assim como hoje sabemos que Robinho está a anos-luz de Pelé, o lançamento de Dig Out Your Soul, sétimo trabalho de estúdio do Oasis, comprova quanta besteira foi dita pelos ávidos por comparações.

Falta de inspiração

O disco, que começará a ser vendido no dia 6 de outubro e já está disponível para audições gratuitas na página da banda no Myspace, é uma seqüência menos inspirada do álbum anterior, Don’t Believe The Truth. As melodias grandiosas e contagiosas dos dois primeiros discos (e vá lá, de algumas boas faixas do terceiro, Be Here Now, o início da decadência) ficaram para trás, Noel Gallagher, o irmão mais velho perdeu a mão nas composições, tanto em quantidade quanto em qualidade, e as letras, bem as letras nunca foram grande coisas. Mas versos como “eu ainda não sei pelo que estou esperando” (“Waiting For The Rapture”) e “nós fugimos para estar onde existe vida” (“To Be Where There’s Life”), aliadas àquela velha postura roqueira arrogante, já ameaçam causar vergonha alheia.

Há, ainda, as típicas homenagens/plágios, presentes em todos os discos. A introdução de “Waiting For The Rapture”, por exemplo, é descaradamente parecida com “Five To One”, do Doors. No final de “The Turning”, há uma citação a “Dear Prudence”, dos sempre evocados Beatles, além da óbvia referência ao trabalho solo de John Lennon em “I’m Outta Time” (que inclui um trecho da última entrevista do ex-Beatle à rádio BBC), composição de Liam, o irmão mais novo.

Claro que, ainda assim, o Oasis é uma boa banda de rock, provavelmente das melhores das últimas décadas e esse Dig Out Your Soul tem boas faixas, como o primeiro single “The Shock Of The Lightning” e “Bag It Up”, que abre o disco. Mas se pensarmos no potencial demonstrado nos dois primeiros álbuns, no que o grupo parecia destinado a se tornar, não deixa de ser frustrante ouvir os discos feitos desde então. Viraram uma banda de rock clássico, no pior sentido do termo. Relativamente bem-intencionados, pero no mucho.

Não é a questão de falta de inovação, queixa inválida ao se tratar de uma banda famosa desde sempre pela reciclagem. É falta de inspiração mesmo. Tente achar no disco algum momento tão memorável quanto o solo de guitarra de “Live Forever”, a introdução de “Wonderwall”, o refrão de “Rock n’ Roll Star”, a melodia de “Champagne Supernova” ou o duelo vocal de “Acquiesce”, para ficar em apenas alguns clássicos do grupo. A definição do jornalista Pedro Só, um dos melhores desse país, é perfeita: “Desde 1997, eles vêm constantemente decepcionando. Isso não significa que seja uma banda ruim”.

Assim como Robinho vai continuar atraindo os holofotes e quem sabe rendendo futuras boas atuações, mas dificilmente irá surpreender e encantar novamente como no início da carreira, o Oasis virou uma instituição estável do rock inglês. Os fãs xiitas pouco se importam. Outro jornalista, Luke Bainbridge, do jornal inglês The Observer, resumiu bem a história toda. “Não irão angariar novos fãs com esse álbum, mas aqueles que acreditaram na verdade da última vez (referência ao título do disco anterior) vão gostar”. O que já está de bom tamanho.

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Daniel Faria, 21 anos. Pisciano, assim como Bertolucci, Glauber Rocha, Villa-Lobos, Gabriel Garcia Márquez e Elis Regina são piscianos. Editor-chefe e idealizador da Revista Wave, já escreveu na Revista Paradoxo e na extinta Revista Bizz.
E-mail: daniel.faria.7@hotmail.com

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22 comentários

  1. Felipe diz:

    Caro amigo crítico,

    seu texto é preconceituoso, hipócrita e desleal. Um chute nas partes baixas, aproveitando a historinha do futebol (Pelé, Robinho).

    Sua base de comparação - os dois primeiros álbuns do Oasis - é totalmente injusta.
    Os tempos são outros, os membros da banda eram outros, e os irmãos Gallagher, Noel e Liam, tinham 26 e 21 anos, respectivamente. Hoje em dia, o primeiro está nos 40.
    Em 1992, 93 - época em que o material em questão foi escrito, antes da existência da banda - Noel era roadie de uma banda indie inglesa e viciado em drogas. Hoje em dia, troca de casa em Ibiza porque não quer morar perto de James Blunt.

    Assim como é impossível comparar ‘Definitely Maybe’ (1994) e ‘Morning Glory’ (95) com ‘Dig out your Soul’ (2008), não dá pra colocar lado a lado ‘Please Please Me’ (1963) e ‘Abbey Road’ (69), ou ‘Chico Buarque de Hollanda volume 1′ (67) e ‘Meus caros amigos’ (76).
    Entretanto, não é a invalidez da comparação que faz “Twist and Shout” pior que “Come Together”, ou “A Banda” inferior a “Mulheres de Atenas”.

    Dito isso, vamos ao que interessa: a música. No caso, a do Oasis.

    Para dizer que há “falta de inspiração” em ‘Dig Out Your Soul’, que é difícil “achar no disco algum momento tão memorável quanto o solo de guitarra de ‘Live Forever’, a introdução de ‘Wonderwall’…”, o ser humano deve atender a uma (ou mais) das quatro condições abaixo listadas:

    1. Ser surdo;
    2. Não entender absolutamente nada de música;
    3. Não ter ouvido ‘Dig out your Soul” com atenção;
    4. Ter um apego emocional muito forte às músicas dos dois primeiros discos.

    Quero acreditar que o amigo, célebre crítico, detentor do poder da caneta virtual, se encaixe apenas na condição número 4, talvez com uma pitadinha de número 3.
    Como assim, “as melodias grandiosas ficaram para trás”? Acho que o senhor não prestou muita atenção no final de “Bag it up” e a posterior introdução de “The Turning”.
    Nada “tão memorável” quanto o material do começo da banda? Excelentíssimo editor-chefe desta revista, Noel Gallagher nunca tinha chegado perto do andamento sinuoso e do peso do riff de “Waiting for the Rapture”, ou da batida quebrada e da nota krautpop de “Falling Down”.
    Essas e outras canções saem da primeira audição do álbum direto para a galeria “best of Noel”. Soam refrescantes para uma banda que passou 10 anos no piloto automático, tentando fazer “canções do Oasis”, como aconteceu em “Stop Cryin’ Your Heart Out” e “Let there be Love”.

    Falando em “canções do Oasis”, o crítico nos diz que “as letras nunca foram grande coisa”. Pronto, encontrei o atestado de ignorância.
    “Nunca foram grande coisa”? Socorro.
    Depois de rápida pesquisa, encontrei, apenas nos lados B dos singles “Some Might Say” e “Roll With It”, letras melhores que tudo o que o amado (por esta revista virtual) Coldplay já fez na vida.
    Noel Gallagher, no seu melhor, escreve música sobre puro escapismo, ambições de um ex-assaltante cheirador de cola de Manchester, e sobre transcender a cultura de uma classe, tudo em rock’n'roll tecnicolor.

    “I’m older than I wish to be
    This town holds no more for me
    All my life I try to find another way
    I don’t care for your attitude
    You bring me down I think you’re rude
    All my life I try to make a better day

    It’s hard enough being alone
    Sitting here by the phone
    Waiting for my memories
    To come and play

    It’s hard enough sitting there
    Rockin’ in your rockin’ chair
    It’s all too much for me to take
    When you’re not there”

    (Oasis - “Rockin’ Chair”)

    Realmente, “nunca foram grande coisa”…

    “In my mind, my dreams are real”, Liam Gallagher vocifera os versos do irmão mais velho em “Rock’n'Roll Star”, de 94. A questão é: o que você faz quando já alcançou todos os seus sonhos? Revive sua juventude, e reflete sobre ela. Assim ensinou Bob Dylan, quando de sua volta à música de raiz norte-americana em ‘Nashville Skyline’. E assim faz Noel Gallagher, mandando o ouvinte sem escalas para uma psicose de cocaína em “Bag it up”, ou ponderando sobre a maturidade em “Falling Down”:

    “Catch the wheel that breaks the butterfly
    I cried the rain that fills the ocean wide
    I tried to talk with God to no avail
    Called him up in and out of nowhere
    Said ‘if you won’t save me, please don’t waste my time’”

    Entretanto, a razão mostra que nem tudo são flores. ‘Dig out your Soul’ é um disco que faz uma curva descendente: as três últimas faixas são as mais fracas. “Ain’t got Nothin’” é chatíssima, “The nature of Reality” enjoa e “Soldier On” patina um pouco. Mas não comprometem o resultado final: é o melhor trabalho do Oasis desde 1997.

    Bem, para finalmente terminar este pequeno (haha) comentário apaixonado (não, não nego; Simon Reynolds assinou que “o fanatismo é a verdadeira experiência do pop, não o discernimento e a mente aberta”), duas questões não querem calar dentro da minha cabeça doentia. Gostaria de compartilhá-las com o amigo, nobre crítico:

    1. Consultando o acervo e as preferências desta revista virtual, li rasgados elogios ao trabalho solo do ex-Hermano Marcelo Camelo, “Nós/Sou”. Ora bolas, como assim? O barbudo melancólico e auto-indulgente pode plagiar Chico Buarque e escrever letras que fazem de João Gilberto um contestador nato? Por que ele pode sapecar a boss(t)a nova inteira, e o Liam não pode fazer uma Lennon-esque (não encontro termo melhor em português) em “I’m outta time”? Qual o critério?

    E por último, mas não menos importante,
    2. O senhor, jornalista que é, constrói seu texto e valida sua argumentação com por meio de opiniões dos também jornalistas Pedro Só e Luke Bainbridge; mas, e o Oasis, não pode emprestar “Dear Prudence” para encerrar uma canção? De novo: qual o critério?

    Parece ser a hipocrisia, marca da crítica musical brasileira, terra livre da “brodagem” - e da “bobagem”. Crítica quase unânime nos clichês anti-Oasis.

    Sem mais, deixo um efusivo abraço ao amigo crítico.
    Continuarei, com entusiasmo, acompanhando e contribuindo (no caso de continuar “empregado” depois deste texto) com a Revista Wave. Afinal, não é todo meio de comunicação que se lembra que “toda unanimidade é burra”, mesmo que seja só num cartaz da fachada.

  2. admin diz:

    Para quem não conhece o Felipe, gostaria de explicitar ao leitor que ele é colaborador deste site, estudante de jornalismo da mesma rocambolesca UNESP que eu e o tenho por amigo inteligente e competente. E nesta mesma UNESP, ele é conhecido pelo apelido de Oasis. Sim, o Felipe é chamado de Oasis pelos amigos. E se todo mundo sabe como são os fãs do Oasis, imagina um que é conhecido pelo nome de sua banda favorita. Então, já dá para ter uma noção do grau de afetação do comentário acima.

    Enfim, como diria Jack Estripador, vamos por partes.

    Você diz que não é possível comparar os Beatles e o Chico Buarque do início da carreira com seus trabalhos posteriores. Não mesmo. A curva de ascendência desses artistas é notável. Melhoraram e ficaram mais inventivos a cada álbum, vide a óbvia superioridade de “Construção”, “Meus Caros Amigos”, “Rubber Soul” e “Revolver” sobre os trabalhos anteriores. Se você acha que o Oasis melhorou a cada álbum, como os artistas citados, então é hora de repensar quem é o ignorante aqui.

    Agora, nem mesmo os mais desvairados fãs, aqueles que aplaudirão qualquer peido do Noel Gallagher, concordarão que as faixas do último álbum possuem melodias tão grandiosas quanto os clássicos dos dois primeiros discos. É triste, mas os melhores momentos da sua banda favorita passaram há cerca de dez anos.

    As letras. Bem, não vou discutir níveis de empatia, mas sempre achei as letras do Oasis juvenis demais. Bobas, para ser exato. É aquela velha história de inadequação inglesa travestida de arrogância, de sonhos grandiosos, de alucinações causadas por drogas, assuntos tão óbvios que mesmo o próprio Noel já disse não se considerar um bom letrista. Cito a própria “Rockin’ Chair”: “Eu não me importo com suas atitudes, vocês me deixam mal, eu acho que vocês são rudes”. Uau, que tocante, nega! Bebê chorão, como as pessoas são rudes com você! Compre um jaguar ou um jatinho e seja feliz (é claro que você entendeu a referência). Ou meta uma bala na cabeça. O NX Zero não seria tão eficaz assim.

    Ah, mas ele é um ex-assaltante cheirador de cola de Manchester? Que passado incrível! E isso valida alguma coisa? Sério, é tudo questão de empatia. Para mim, as letras e a postura arrogante da banda causam vergonha alheia (de verdade: não agüentei ver o “Lord Don’t Slow Me Down” inteiro). Para você, talvez signifiquem alguma coisa.

    Falando sério: usar “Rockin’ Chair” como exemplo de boa letra foi sacanagem, já que ela é bem diferente da temática média das composições da banda e você sabe disso. Nos últimos discos, porém, a coisa degringolou de vez, quando várias frases desconexas e psicodélicas com o intuito óbvio de camuflar a falta de assunto tomaram conta. “True perfection has to be imperfect”, lembra? Neste DOYS, tem coisas do tipo “we live a dying dream” (referência a John Lennon de novo) e“the nature of reality is pure subjective fantasy”. Preferia que as letras ficassem naquela história de “come on, shake your rag doll, baby”. Seria mais coerente e engraçado.

    Particularmente, só me importo com as letras quando o letrista é muito acima da média, tipo o Leonard Cohen, o Lou Reed ou o Michael Stipe. Ou o Chico Buarque. Ou o Caetano, que você adora. No Oasis, o que realmente me interessava era a qualidade das melodias e neste Dig Out Your Soul, o nível caiu e isso é perceptível, mas um fã-freak como você nunca irá assumir.

    E as músicas que o Noel canta são as mais fraquinhas neste novo disco. Nem a pau que superam “Don’t Look Back In Anger”, “Talk Tonight”, “Sad Song”, “Half The Wordl Away”, “The Importance Of Being Idle” (essa sim, é toda boa: melodia, letra e instrumentação, a grande música do Oasis na década) e várias outras.

    E daí que é o melhor trabalho do Oasis desde 1997? (Não concordo, prefiro o “Don’t Believe The Truth”). Vai ser sempre assim, não vai? O melhor desde o “Morning Glory”. Amigo Oasis, o Oasis não é mais relevante e não tem mais a mesma inspiração do início da carreira. Claro que, como fã número dois da banda (ninguém tira o posto do Thales de Menezes), você nunca irá aceitar isso. Mande um email para ele e reclame como esses bossa novistas e emepebistas são uns charlatões metidos a besta enquanto ouve emocionado “Little James” no escuro do seu quarto, à meia noite, à meia luz, sonhando por seu mundo e nada mais.

    E claro que é uma puta sacanagem sugerir minhas preferências pessoais como medidores de qualidade para julgar o meu texto sobre o Oasis. Mas enfim, farei o jogo sujo e irei rebater as acusações.

    Que história é essa de “barbudo melancólico e auto-indulgente pode plagiar Chico Buarque e escrever letras que fazem de João Gilberto um contestador nato”? Essa frase você copiou do burro do Thiago Ney, que não deve saber que João Gilberto não é compositor nem letrista. E quem fala que o Camelo sapecou a bossa nova inteira deve atender a uma (ou mais) das quatro condições abaixo listadas:

    1. Ser surdo;
    2. Não entender absolutamente nada de música;
    3. Não ter ouvido nem o disco do Camelo, nem músicas interpretadas por João Gilberto, nem canções feitas por Tom Jobim, nem letras de Vinicius de Moraes e tudo relacionado à bossa nova com atenção;
    4. Ter um apego emocional muito forte às músicas da sua adolescência e estender esse apego para a vida toda, sem definir critérios.

    Escrevi no texto do Camelo que “a interpretação econômica da voz do carioca valoriza sua aproximação com a bossa nova, ainda que sem os cuidados com a sofisticação típica do estilo”. Isso de “sapecar a boss(t)a nova inteira” foi uma infelicidade da sua parte. Mas você tem preconceito com o estilo, não vai dar para discutir.

    Mais: “Copacabana”, do Camelo, remete estilisticamente à “A Banda”, mas não pode ser considerada plágio, como você afirmou. Plágio é uma seqüências de determinados compassos rítmicos e linha melódica semelhantes. Bom, é um assunto que você deve entender bem. Poucas bandas reciclam tanto – de forma competente e com bons resultados na maioria das vezes– idéias alheias como o faz o Oasis.

    E puta merda, essa história de que “já que você pode citar jornalistas na sua resenha, então o Noel também pode citar os Beatles” é brincadeira da sua parte, não é? Aliás, em que momento eu disse que a banda não pode citar “Dear Prudence”? Apenas disse que é procedimento comum essas referências nos discos da banda. Eu não sou inglês e nem fanático por Beatles, então, para mim, fica cansativo. Os fãs – e somente eles, acredite – vão gostar. E isso eu garanti na minha resenha e você veio aqui e confirmou. Muito obrigado, era exatamente o que eu (e as pessoas normais que não acham o Oasis a melhor banda do mundo; sim, elas existem e não necessariamente são fãs do Coldplay e de João Gilberto) esperava.

    Ah, faltou defender o Coldplay. Com a palavra, Noel Gallagher: “Eu gosto de Coldplay e U2; todos do Oasis odeiam pra caralho eles. Eu acho que eles se sentem levemente inseguros que Coldplay e U2 vendam mais discos que nós. Eu adoro “Violet Hill”. Eu gosto deles, não vou negar. Eu gosto de Chris Martin. Eu acho que ele é um grande compositor. Ele me fascina. É um cara elegante”. Inegável que os caras são bons de declarações. O ruim é que as entrevistas são mais interessantes que as canções…

    E retribuo o efusivo abraço, afirmando que só prestei-me ao trabalho de responder ao seu comentário por saber da inteligência, polidez e educação de seu autor. Geralmente, acho loucura discutir com fãs. É entrar para perder.

    Um beijo!

  3. Felipe diz:

    Amigo “mente aberta”, eu deixei claro que meu texto é parcial, você não leu? Coloquei até citação pra ficar bonitinho.
    Sua “introdução ao comentarista” é totalmente dispensável. Estou me sentindo um retardado mental que precisa de uma camisa de força, hahaha.
    De novo, apelou: chute nos países baixos! Mas tudo bem. Eu também cheguei entrando de sola.

    Querido crítico, aquela história de traçar paralelo com Beatles e Chico Buarque NUNCA se prestou a comparação com o Oasis. Serviu apenas para desmentir os SEUS critérios esdrúxulos e clichês.
    Embora você me apresente como um maníaco depravado, não, eu não comparo as trajetórias desses artistas, e isso está no meu comentário. Tanto que escrevi: ‘Dig out your Soul’ é o melhor trabalho do Oasis DESDE 1997. Ponto. E NÃO, não “vai ser sempre assim”, como o senhor afirma. O fanático aqui tem um pouco de discernimento, crê que ‘Don’t believe the truth’ (2005) não chegou nem perto do Oasis de outrora, mas fica muito, muito entusiasmado ao ouvir os grandes momentos de ‘Dig out your Soul’, um dos melhores discos de Rock dos últimos anos.
    E por favor, não queime meu filme, porque eu ODEIO ‘Little James’.
    Sim, os arranjos “grandiosos” estão lá, e é você que não quer ver, amigo. No caso de mudar de idéia, dia 26 de outubro o Oasis faz uma apresentação no BBC Electric Proms, acompanhado por uma orquestra de 50 pessoas e um coral, tocando TODO o repertório do disco novo. Vai ser trnasmitido ao vivo pelo site da emissora britânica.
    Pra quem gosta de “arranjos grandiosos”, será um prato cheio. Embora seja uma tremenda contradição a exigência de “arranjos complexos” por alguém que exalta a bossa nova (um banquinho e um violão, não é assim?) como verdadeira expressão da música popular brasileira - que não é.
    Opa, seria esse mais um pré-julgamento meu em relação à turma do João Gilberto? Se for, sem problema algum. Você também ouviu o ‘Dig out your Soul’ com má vontade, com todas as opiniões prontas dos seus amigos críticos na cabeça.
    Aliás, falando no JG, esclareça uma dúvida minha, por favor: ele não era compositor? Pelo POUCO (de novo, POUCOOO) que sei, “Ho-bá-lá-lá” e “Bim Bom” (coisa linda, e depois as do Oasis é que são “bobas”) são de autoria dele, ou não?

    Realmente, como você diz, é tudo questão de empatia. “Todo ser humano pode ser um anjo”, ou “Segura que minha alegria não quer parar”. Nas suas palavras, nobre crítico: para mim, as letras e a postura idílica e saudosista do Marcelo Camelo causam vergonha alheia. Para você, talvez signifiquem alguma coisa.

    O motivo do meu comentário não é saudosismo, idealizar um tempo que (verdade, você tem razão) não volta mais. Deixa isso pra boss(t)a nova e pro Marcelo Camelo, é o que essa corja gosta de fazer. Por essas e outras, estou tão feliz que o Oasis (e principalmente o Noel) esteja se redescobrindo, como expliquei no comentário inicial.
    E outra, amigão, ao contrário de você, eu sou fanático pelos Beatles, e o Oasis teria que tomar muito hormônio de cavalo para chegar no nível. Mas só com cocaína já chegaram muito, mas muuuito perto, segundo um tal de Paul McCartney.
    Aliás, merda de cocaína, vai saber o que seria do ‘Be Here Now’ sem ela. Mas, como eu disse, saudosismo é coisa de Camelo.
    E o motivo do comentário não é brigar, não é xingar a boss(t)a nova. A intenção é exaltar as qualidades de ‘Dig out your Soul’, melhor trabalho do Oasis desde 1997, um verdadeiro rinoceronte chapado que esmaga a formiguinha ‘Don’t believe the truth’, o preferido do amigo crítico nos anos ‘00.

    Sobre “só os fãs” gostarem, dê uma checada na acolhida do disco lá fora - no Brasil não vale, pelos fatores que já expliquei.
    Depois, o senhor, do topo de sua sabedoria crítica, me responde.

    Abraço!

  4. Paul Gallagher diz:

    Bem, não lerei os comentários de vocês dois, pois são blocos de textos muito longos … cansa de ler.

    Com relação ao texto de Daniel, concordo com algumas coisas, discordo de outras.

    Não cabe ficar comparando os primeiros albúns da banda, com os trabalhos atuais. A época é outra (como já foi dito pelo Filipe), e essa comparação é absurda, assim como também é absurdo ficar afirmanda insistentemante que os Gallaghers são arrogantes. Esse discurso (pronto e seguido por alguns), não é verdadeiro.

    Quem acompanha as entrevistas que os Gallaghers dão (não sei se o Daniel acompanha), e realmente segue a carreira da banda, sabe muito bem que Liam já admitiu que, na época na qual ele dizia que era o melhor do mundo, na melhor banda do mundo, era um discurso vislumbrado, fantasioso, e que agora o vocalista já sabe que tudo é uma questão de época.

    Noel, em entrevistas passadas, já declarou que, em 1994, o Oasis só fez o sucesso que fez por causa da extinção do grunge do Nirvana, do contrário, DM nem teria sido notado. Noel também já disse que ele fazia letras melhores quando usava drogas, e que agora as letras não são tão boas, mas ele precisa ser responsável (não usar drogas, pois ele é pai, homem de família, e talz …)

    Me diga, o que tem de arrogante nessas declarações ? As pessoas que chamam os Gallaghers de arrogantes, realmente os conhecem, o seguem um discurso papagaista pronto ?

    Entretanto, concordo quando meu caro Daniel diz que DOYS é uma versão menos inspirado que DBTT (agora sim, cabe comparação). DOYS é um albúm muito fraco, é melancólico, flerta com o psicodelismo, e o BritRock de guirratas e riffs maravilhosos começa e acaba em “Shock of Lightining” … mas claro que DOYS não deixa de ser um bom albúm.

  5. Fabio diz:

    Eu peidei

  6. admin diz:

    Ou seja. Antes que isso vire uma discussão entre o “defensor da bossa nova” contra o “fã número 2 do Oasis”, vamos ser espertos e ater-nos aos fatos.

    Sem querer dar uma de crítico-músico, mas melodia, arranjos e harmonia são conceitos muito diferentes. Não falei que os arranjos do disco são fracos (e são relativamente simplórios; para ficar num exemplo claro, arranjo grandioso e nada óbvio é o de “Strawberry Fields Forever” ou o de “A Day In The Life”), mas sim que as linhas melódicas são quase sempre curtas e pouco inspiradas. Tentando ser didático sem ser chato, mas a seqüência melódica de “Stand By Me”, que considero o melhor exemplo de “melodia grandiosa”, é relativamente simples, com acordes maiores e intervenções de acordes menores para criar aquela tensão característica das músicas do Oasis. Você sabe, aquele instante do bridge que prepara o cenário para a entrada fulminante do refrão. É o que sempre me emocionou no trabalho da banda, aquela representação consciente e poderosa do brit-rock. Nesse DOYS, não vejo nada disso. Sei que é questão de preferência: acho o Oasis melhor neste quesito do que essa sub-psicodelia levemente pesada do disco novo.

    Aí você vem e diz que é loucura a minha afeição por “arranjos grandiosos”, já que eu gosto de bossa nova. Você já ouviu os três primeiros discos de João Gilberto? Já prestou atenção nos arranjos de “Desafinado”, aquela solução de acordes dissonantes supostamente em caminho contrário a melodia, como que sugerindo a “desafinação” do título da canção? Ou então as novidades harmônicas de “Chega de Saudade”, o aparente contraste entre voz e violão, cada um em uma célula rítmica diferente, mas nem por isso fora de sintonia? Mas o que ficou na sua mente é o clichê do banquinho e violão e letras falando do Rio de Janeiro. Uma pena.

    Felipe, seu viadinho. O João Gilberto compôs sim essas duas canções, além de algumas poucas outras canções instrumentais. Se você acha que isso faz dele um compositor (ou um letrista, como era o enfoque inicial da discussão), provavelmente você não deve ter ouvido as tais músicas. “Bim-bom”, por exemplo, é uma brincadeira, um exercício de vocalização, típica do jazz. Porém, você já disse saber pouco sobre o JG. Perceptível.

    Então, mas eu mesmo disse que as letras do Marcelo Camelo também provocam ligeira vergonha alheia. Não causam empatia em mim. Apenas acho que são mais sinceras do que essa história de “vivemos um sonho morto”. Mas já disse: achei uma baita sacanagem sua analisar meus métodos de resenhar o disco com base no que havia escrito anteriormente. Cada texto é um texto e eu não necessariamente elogiei o disco do Camelo. Já em relação ao João Gilberto, digo que todos os elogios que eu conseguir passar em um texto não serão suficientes para externar minha admiração por ele.

    E isso de que o Oasis é “injustiçado” pela imprensa brasileira também é brincadeira da sua parte. A banda teve o maior lobby nos bons tempos da década de 90 e agora você se revolta porque algumas pessoas têm o bom senso de perceber a queda nítida de qualidade no trabalho da banda.

    Para o Paul Gallagher. Talvez não tenha sido sua intenção, mas você confirmou o que eu estava afirmando sobre a suposta arrogância dos irmãos. É exatamente isso. São declarações engraçadas, divertidas, mas não vejo essa arrogância e prepotência toda. Provavelmente, são pessoas simpáticas e ótimas companhias para uma cerveja e um futebol no fim de semana. Lembro de uma coluna do Álvaro Pereira Junior citando a “transformação” dos membros da banda quando uma câmera é ligada. De bons meninos, se transmutam naqueles roqueiros de cara feia prontos para ofender as bandinhas novas e falar bem dos Beatles de novo. Mais reacionário e conservador, impossível.

    Em relação a música em si: sim, DOYS não deixa de ser um bom álbum, como disse o Paul e como eu escrevi na resenha. É fraco em comparação ao que o Oasis já fez, mas é muito bom em relação aos discos de rock lançados nesta década. “Shock Of Lightning” e “The Turning” até entrariam numa coletânea da banda. Se a coletânea fosse dupla, é claro.

  7. admin diz:

    E claro que João Gilberto foi muito mais corajoso, inventivo e revolucionário para a música mundial do que o Oasis jamais sonhou em ser.

  8. denis-goiás diz:

    como diria johnny rotten nos bons tempos, ever get the feeling you’ve been cheated?

  9. Fernandoasis diz:

    Ei vocês dois,

    Fantástica a discussão.

    Isso pq são da Unesp hein! Sobre letras bobas, apoiaria o Noel fazer uma música com “Unesp, eu sou bonzinho. Se eu não desisto você tava no cursinho!”

    Aí sim seria fodástico!!

  10. Daniell Marafon diz:

    Isso está divertidíssimo… vai acabar em romance haha

  11. Felipe diz:

    “Uai”, diria o mineiro assustado. “Cada texto é um texto”?
    “Sacanagem”? O que vale lá não vale aqui?
    A cada texto o senhor, renomado crítico, muda os critérios de avaliação?
    É a justificação da sua própria hipocrisia como articulista musical.

    Tá, chega, beleza. Da sua crítica inicial (”falta de inspiração”, “o irmão mais velho perdeu a mão nas composições, tanto em quantidade quanto em qualidade”) consegui te convencer que ‘Dig Out Your Soul’ é um “bom álbum”, com duas canções “numa coletânea da banda” - uma diferente, inclusive, das que o nobre crítico citou no texto original como “boas”. Além disso, reconheceu certo valor na “sub-psicodelia levemente pesada do disco novo”. Para mim, já está de bom tamanho, era esse o objetivo do comentário.

    E também chega de entrar no mérito da boss(t)a nova, porque 1. não é essa a discussão; 2. não tenho coragem de entrar em qualquer coisa relativa a esse movimento. Como eu disse, só dei os exemplos da bossa (João Gilberto, Camelo) para desmentir os SEUS argumentos esdrúxulos sobre o Oasis.
    Mas, respondendo às suas provocações, vejo a boss(t)a como artefato de mentes de classe média olhando de maneira condescendente para a raiz musical popular - no caso, o samba, verdadeira expressão da música “popular” brasileira. Por isso, fico com Cartola, Geraldo Pereira e a velha guarda da Portela.
    Ao contrário do que você pensa, conheço bem o primeiro do JG (chato e mesquinho), e quero que ele se EXPLODA com “exercícios de vocalização, típicos do jazz”. Vai pro inferno. “Me dê algo que eu possa sentir”, diria Richard Ashcroft, inglês fodido do norte, como Noel Gallagher.

    E, por último (prometo), quer dizer que agora o Oasis é “reacionário”. Sim, o editor-chefe desta revista, que proclama citação de NELSON RODRIGUES (”o reaça”) na capa, tem a cara de pau de chamar o Oasis de reacionário. Ah, faça-me o favor.
    O som do Oasis inspira bandas novas de rock’n'roll desde que os Gallagher chegaram ao estrelato. Do Kings of Leon ao Arctic Monkeys, do Weezer ao Kasabian. Fora a influência na nova geração, inglesa especialmente: Pete Doherty, Zutons, The Coral, Glasvegas. Dessas, todas já abriram ou vão abrir shows do Oasis.
    Mas, fazer o que, assim como eu não ouvi o segundo e o terceiro discos do JG (nem vou ouvir), o elevado crítico nunca chegou perto de nada dessas bandas roqueiras. Como já foi dito, “questão de empatia”.

    O abraço.

  12. admin diz:

    Neste último comentário, você se superou. Quanta besteira e desconhecimento de causa, meu Deus. Sério, espero que você realmente pare por aqui e apenas volte a tecer opiniões sobre os assuntos que você tenha verdadeiro repertório para julgar. Ou seja, o indie-rock do Glasvegas, do Coral e do Pete Doherty. Ingleses são auto-referentes, fixe-se (apenas) nisso e seja feliz

    Lá vem você de novo desvirtuar minhas palavras. Eu não mudei de idéia em relação ao disco. Você, obviamente, não prestou a devida atenção ao meu texto sobre a banda. Ou então teria notado a frase “Claro que, ainda assim, o Oasis é uma boa banda de rock, provavelmente das melhores das últimas décadas e esse Dig Out Your Soul tem boas faixas”. Mas claro, fique acreditando que o disco é sensacional. Nada do que ninguém diga fará você mudar de idéia. Fã é assim.

    Eu leio, leio e leio e fico cada vez mais indignado com seus comentários. Eu estudo o negócio, pesquiso arquivos, entrevisto historiadores da música brasileira, pessoas que ficaram a vida inteira debruçadas sobre o assunto, e tudo isso para um fã de indie-rock chegar aqui e falar que a verdadeira música “popular” brasileira é o samba do Cartola e do Geraldo Pereira (famoso pela canção “Falsa Baiana”, imortalizada na interpretação de… João Gilberto, que também gravaria versões definitivas de “Sem Compromisso” e “Bolinha de Papel”). Ou seja, o samba de João Gilberto - porque ele faz samba -, por ser consumido pela classe média (errado: “Chega de Saudade” foi um dos compactos mais vendidos e executados em 1958, isso sem contar as quase-domínio público “Garota de Ipanema”, “Águas de Março” e “Corcovado”) não é considerado música popular.

    Felipe, leia mais. O samba que você considera legítimo é, desde o final da década de 40, pelo menos, consumido em sua grande maioria pela mesma classe média que você despreza, sabia disso? Geraldo Pereira, que morreu em 1955, e Cartola, por exemplo, só foram plenamente reconhecidos nas décadas de sessenta e setenta, quando a riquinha Nara Leão liderou uma valorização tardia do samba do morro - e foi muito criticada por isso, aliás. Tanto que a bossa nova é considerada por muitos historiadores como uma retomada da escala evolutiva do samba após a estagnada década de 50, quando o samba-canção e o samba de fossa predominavam nas rádios.

    Ah, mas o Cartola veio do morro, você pode argumentar. E o João Gilberto, veio de onde? Ele não nasceu em um apartamento chique da zona sul carioca, sabia? Só que João Gilberto é chato (segundo que critérios, além do seu estacionado e imutável gosto pessoal, você afirma isso? Você deveria ter feito o papel de bebê chorão antes, falando coisas do tipo “o que eu gosto é bom e o resto é ruim”, e pronto, poupávamos tempo). E chato para você, cara-pálida, que se emociona com guitarrinhas mal-tocadas e letrinhas sobre o cotidiano do jovem virgem inglês.

    Inacreditável isso. “Verdadeira expressão da música popular brasileira”. Você fala isso e não enrubesce nem um pouquinho?

    Tem mais. Sinceramente, achei que esse estigma de “reacionário” do Nelson Rodrigues já tivesse sido superado e que estivesse claro que ele foi das vozes mais lúcidas e coerentes durante a ditadura militar. O tempo tratou de demonstrar razão em muito do que ele dizia, mas duvido que você realmente seja um estudioso da obra de Nelson Rodrigues, como eu. Posso estar errado.

    Mas enfim, a grande asneira foi ter dito que pela fama de “reaça” do Nelson, eu não deveria acusar ninguém de reacionário, visto que estampo uma frase do mesmo em meu site. Então, assim como você não suporta bossa nova pelo seu caráter “classe média”, é sério que você não consegue mesmo desvencilhar a obra do autor da sua vida e predileções políticas pessoais? Por ser “reaça”, eu, com minhas tendências esquerdistas, devo ignorar a obra de Nelson? Ou então a literatura de Ezra Pound perde qualidade por ele ter ligações com o nazismo? Leni Riefenstahl era uma péssima cineasta por trabalhar sob ordens de Hitler? Por Deus, Felipe, seja mais sensato.

    Agora, é claro que você, novamente, jogou baixo afirmando que eu desconheço o trabalho do Arctic Monkeys, do Weezer, do Pete Doherty. Quem me conhece sabe do meu entusiasmo com o grupo do incrível letrista Alex Turner. Inclusive, no lançamento do Favourite Worst Nightmare, afirmei em uma resenha para a Revista Paradoxo que aquele seria o disco de rock da década. Só que você me vê como o defensor da bossa nova que não ouve indie-rock. Típico, você até agora só soube criticar o que não conhece a fim de explicar seu fanatismo com a sua banda preferida e sua indignação com o meu texto. Não precisa disso, de verdade.

    Mas o Oasis influenciou o Glasvegas (não concordo; a referência básica ali é o Jesus And Mary Chain) e o Pete Doherty (mais Clash que Oasis). Haha. Olha só, então eles não são reacionários e conservadores porque influenciaram um monte de nulidades. Manda lá, espertão: o que há de novo no som do Oasis? Acho o legado da banda bastante nefasto. Eles atrasaram em pelo menos vinte anos uma pretensa modernização da sonoridade inglesa pretendida pelo Blur e pelo Pulp, as duas melhores bandas do brit-pop. Não que eu necessariamente me importe com isso. Acho legal a reciclagem do Oasis, principalmente quando é bem feita. Agora, coitado do Thom Yorke e do Radiohead, tentando levar a música popular britânica para novas concepções experimentais, ter que conviver com uma Inglaterra que não enxerga nada além do próprio umbigo. Isso talvez explique o fato do Radiohead ser menor que o Oasis na Inglaterra, mas muito maior no resto do mundo. Mude-se para lá, você certamente estará entre os seus.

    Entendo esse vício roqueiro melhor que ninguém, porque eu era exatamente assim há alguns anos. Julgava bandas e artistas por seus clipes, suas roupas e seus penteados. Tinha preconceito por bossa nova por considerá-la música elitista. Ainda acho importante analisar aspectos além da música em si, mas aprendi a não me deixar prender a preconceitos e opiniões pré-formuladas.

    Mas você está aqui para policiar até mesmo as minhas emoções. Se eu me emociono com uma música como “Insensatez”, sou hipócrita e classe-média. Se você se emociona com o inglês fodido Richard Ashcroft (“Me dê algo que eu possa sentir?” Hahaha. Serve um dildo bem grande?), você é coerente. Que coisa.

    Queria que você analisasse apenas a obra dos nossos artistas citados, e não os seus fãs (fã é sempre estúpido, você deveria saber) ou a classe social dos seus autores. Mas você já disse que não vai ouvir os discos de João Gilberto. Então não venha falar bobagens sobre o que você não conhece. Assim como eu não estou julgando o Zutons, que eu não ouvi. Mas garanto que sua lacuna é maior que a minha. Talvez seja culpa do dildo do Ashcroft.

    E claro que cada texto requer uma análise diferente, já que cada artista se propõe a resultados diferentes. Quando resenho um disco, levo em consideração o histórico da banda, como o disco soa aos meus ouvidos, o que o artista tentou explicitar e o quanto teve sucesso nessa tentativa. E claro, como o disco soará para as pessoas normais não-bitoladas que, acredito eu, freqüentam esse site, muito mais Bravo!-wannabe do que Popload ou NME. Não dá para escrever todos os textos pensando no que os fãs irão pensar. Poderiam aparecer fãs do Camelo reclamando porque eu chamei o disco de desleixado e sugerido que as letras eram bobas. Por sorte, não apareceram.

    De resto, espero que fiquemos mesmo por aqui. A discussão teria um nível melhor caso você não tivesse atacado minhas outras preferências pessoais para julgar meu texto e não tivesse aparecido cheio de preconceitos e rancores sobre resenhas de discos anteriores. E claro, tivesse concentrado seus esforços em me desmoralizar apenas nos meus comentários sobre Dig Out Your Soul, esse disco nada inspirado do Oasis.

    Abraços!

  13. Thales diz:

    gostei da discusão. Eu concordo que Dig Out Your Soul não é táo paulada assim mas é bom. Enfim, agora eu queria saber o que voces acham do NXZERO, Fresno, Strike e outras besteiras emos que playboyzinhos otarios e ignorantes ouvem.
    Queria saber de voces o que essas bandinhas de imitadores acrescentaram na musica brasileira.

  14. nelson rodrigues diz:

    o brasileiro é MESMO um feriado.

  15. Touts diz:

    O Oasis é a melhor banda do mundo. Isso é fato

    Bossa Nova é a pior coisa do mundo. Isso também.

  16. gabriel diz:

    Vcs são muito bons nisso.

    Aliás, ei de me manifestar: o apelido do Felipe, “Oasis”, foi dado por mim, na saudável brincadeira de receber os novos alunos do curso e apelidá-los: pura tradição. Surgiu de uma brincadeira, porque o cara estava com a camiseta da banda e ia fugir da semana do trote porque ia no show do Oasis no Brasil. Como vêem, isso nao significa absolutamente nada, ele não é um retardado mental, ainda que insistam nisso com frequencia.

    “Oasis é a melhor banda do mundo” - essa frase deveria estar no filme, “10 coisas que odeio em vc”. Outra: a bossa, assim como o Sepultura, ganhou o mundo.

  17. gabriel diz:

    Aliás, vou linkar isso aqui.

  18. Daniel Alvez diz:

    Meu xará, realmente vc esta me parecendo mais um daqueles babacas que escutava Oasis nos anos 90 e acahva que aquilo era a melhor coisa do mundo….eu amo Oasis, mas principalmente o Oasis dos anos 2000, nos anos 90 eu odiava Oasis, mas quando eu Ouvi Standin on the shoulder album do ano 2000, eu comecei a virar fã, e escuto inclusive os primeiros albuns da banda que são bons mas muito babas, afinal hoje o Oasis faz uma musica longe de ser comercial, pois ja não tem mais nada para provar, são a melhor banda do mundo, ou vai me dizer que o a baba do Coldplay é melhor? Se o ranking for a banda mais fajuta da MTV claro que esta bosta ganha…..mas voltando vc tem 21 anos não sabe nada de rock, e afinal vc deve ser mais um daqueles que ama o Noel mas não consegue admitir, pois ele não é bonzinho….Bem a verdade é que o Oasis fez um excelente disco, disco para quem quer algo mais e não apenas refrões pegajosos para ficar cantaroalndo no chuveiro(geralmente críticos fazem isto pois quase sempre são musicos falidos), enfim Noel e companhia continuam a fazer bons discos não existe banda parea para eles e nós sabemos que eles incomodarão por muitos anos, e alias ja conseguiram durar até mais do que os Beatles………e outro conselho meu amigo crítico pare de ser mais um brasileiro comum que só sabe fazer metaforas com futebol, seja mais inspirado………

  19. admin diz:

    Isso, eu sou um músico frustrado e não sei nada de rock, afinal só tenho 21 anos. E eu deduzo que você tenha 10 anos, afinal não sabe nada sobre escrever português corretamente. E claro que eu não assumo que gosto do Noel, já que ele foi muito malvado da última vez que tomamos um chá juntos.

  20. Daniel Alvez... diz:

    Bem meu amigo portugues é possível aprender, inclusive amíude vossa senhoria continua a ser um ignorante sobre falar em rock and roll, o mundo gira e o Oasis continua a melhor banda do mundo…..

  21. rita diz:

    um comentário aleatório e inoportuno, mas o começo de “Waiting for the Rapture” é muito igual ao de “Five to one” do Doors. Sempre que escuto a música, eu ouço o Liam cantar os primeiros versos: “five to one baby, one in five…”.

  22. Alguem diz:

    Tem gente que perde tempo….

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