Editorial
Editorial nº 011
12 de Setembro de 2008 | por Revista Wave
No livro Da Sedução, o filósofo francês Jean Baudrillard procura demonstrar que a dita revolução sexual não foi de fato uma revolução, mas apenas deu continuidade à sexualidade anatômica e fálica descrita por Sigmund Freud. Com o advento da Internet e das novas formas de processamento de imagens, essa obsessão humana pela representação virtual da submissão frente ao objeto sexual tomou proporções gigantescas na indústria pornográfica e na proliferação do sexo digital.
É essa a análise que o editor Gustavo Padovani tenta repassar para os leitores na nossa matéria de capa dessa décima primeira edição. Gustavo procura propor a temática de um assunto que pode gerar infinitas possibilidades de discussão. Temática que o mesmo Baudrillard sugeriu com extrema competência, ao acreditar que o pornô – e por extensão, o sexo virtual - faz o sexo mais real que o real, o que causa sua ausência de sedução.
O francês acreditava que essa sexualidade exacerbada da pornografia realiza um acréscimo de realidade ao exagerar o pitoresco dos detalhes anatômicos. Vê-se o que nunca se viu, é o excesso de realidade. Não há espaço para o imaginário nesse espaço de mais-verdade, mais-exatidão. Dão-nos tanto, a cor, o contorno, o sexo em alta fidelidade, que não há mais nada a acrescentar, a dar em troca. É a repressão absoluta: dando-nos um pouco demais, cortam-nos tudo.
Ou seja, mais uma tendência do nosso mundo pós-moderno, tão preocupante quanto a alienação política ou a despreocupação ambiental ou o desleixo social. A problemática sexual fugiu da utopia do sexo livre preconizado pelos hippies para adentrar um mundo de números, fatos, simulacros. Sexo visto como equação, como potencialidade, como eficiência. Não tão longe da distribuição de prazer imaginada por Aldous Huxley em seu célebre Admirável Mundo Novo. Enfim, assunto que poderá tomar imensas ramificações, todas interessantíssimas.
Para nós, da Revista Wave – e por extensão, a todo o jornalismo contemporâneo que se preze –, cabe não apenas o papel de compreender e analisar essa realidade, mas procurar instigar a inquietação alheia, mesmo em questões tão individuais e particulares como o sexo. É o que de mais desejável pode ocorrer para essa equipe, que apesar de contratempos, permanece estimulada a usar de textos e imagens para criar um vínculo e dividir as angústias e incoerências de nosso mundo com nossos semelhantes. Que a nossa pretensão perdoe nossa imaturidade e juventude.
Que Deus nos abençoe.
Aquele abraço.
Daniel Faria
Editor-chefe

