Opinião
A arte do mau humor
26 de Agosto de 2008 | por Revista Wave
Quando “Arte do Insulto”, espetáculo de Rafinha Bastos, parar no teatro de sua cidade, vá ser insultado com prazer
por Vinicius Felix
Quem tem um aparelho de televisão em casa sabe que o nome Rafinha Bastos dispensa apresentações. Mas vamos lá: um dos comediantes mais vistos do You Tube, já participou de diversas campanhas publicitárias e divide com Marcelo Tas e Marco Luque a bancada do polêmico e excelente CQC. Em suma, um dos humoristas mais populares da atualidade. Prova disso é a sessão extra que foi necessária (e devidamente lotada) nesse último domingo em Ribeirão Preto do seu espetáculo stand-up “A Arte do Insulto”. Com ingresso comprado duas semanas antes para evitar problemas, fui conferir a primeira sessão.
Tão irônico quanto o humor de Rafinha, provavelmente por acaso, era o ambiente. No grande palco do luxuoso Dom Pedro II apenas um banquinho e um microfone num pedestal, e pelo teatro acostumado com música clássica, uma seqüência animada de hip-hop tocando enquanto as pessoas se acomodavam. E foi ao som de um deles, “Party Up” do rapper DMX, somado aos aplausos de mais de 1.500 espectadores, que Rafinha fez sua entrada.
Vestido como qualquer um dos garotos da platéia, ele é direto e não perde tempo. Começa logo brincando com o fato de ser gaúcho e não ser um “você sabe?”. Todo o texto entra nesse clima, como uma conversa informal. Tão informal que parece que Bastos está sempre a improvisar, apesar de seguir um roteiro fechado que ele afirma alterar pouco entre as apresentações.
Mas como em uma boa roda de amigos, a informalidade não é barreira para falar de assuntos sérios como sexo, casamento, religião, eutanásia, pena de morte. Temas sérios até a página 3, porque Rafinha vai aos poucos mandando seus “insultos” e não pega leve, desde piadas com a sexualidade dos próprios pais a comentários que classificam o programa do Padre Marcelo Rossi como “direcionado a pessoas com Alzheimer”.
O carisma do humorista é o seu fio-condutor e o ajuda a passear com habilidade todo o tempo entre a tênue linha da piada e a ofensa. O que é bem difícil, para quem acompanha a vida dos humoristas: muitas vezes, a culpa é do próprio apresentador, sem a habilidade necessária ou que age com má fé; e às vezes por parte do público que não sabe rir de si mesmo, que não entende o espírito do humor.
Bastos, que é judeu, não faz feio diante de grandes humoristas como Allen ou Seinfeld, também judeus, que já fizeram stand-up e que escrevem seus próprios materiais. “A Arte do Insulto” é um excelente um show e um dos destaques na ótima fase que o humor passa pelos teatros brasileiros. É a arte de fazer rir nas mãos de um mestre que realiza seu trabalho com gosto e qualidade. Quando Rafinha Bastos parar no teatro de sua cidade, vá ser insultado com prazer.
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26 de Agosto de 2008 às 22:08
Bracin, adorei o texto e, com certeza, Rafinha Bastos é o nome do melhor humorista “stand-up” brasileiro atualmente.
Não vi ao espetáculo, mas pelo que vi dele no You Tube, deve ter sido bom demais.
Falou ae Bracin. Abraço pra você e sucesso xD
6 de Setembro de 2008 às 15:53
Vinicius, adorei seu texto…
É exatamente isso q o Rafinha passa para nós, e com ctza um grande humorista, não existe pessoa que não ri com ele!
Beijos
29 de Setembro de 2008 às 12:57
Vinicius…
Meu garoto ! Professor tá orgulhoso !!!
Bom texto, hein ? Deixe-me ver… Adequação á Proposta, Coesão, Coerência… hahaha.
O melhor: boa união das idéias. Relacionou os fatos e mostrou conteúdo !!!
Abs