Editorial
Editorial nº 010
8 de Agosto de 2008 | por Revista Wave
“Um artista não precisa sofrer para mostrar sofrimento, ele só tem que entender o sofrimento. A intuição é o principal instrumento de um artista. Sou uma pessoa feliz por dentro, mas minhas histórias refletem o mundo real, e vivemos num mundo negativo”. Em entrevista a imprensa brasileira na última segunda feira (4) em um hotel no Leblon, Zona Sul do Rio, o cineasta americano David Lynch, provavelmente o mais importante realizador vivo, resumiu muito sobre a arte que interessa a equipe da Revista Wave.
Não somos necessariamente artistas. Nossa intenção é a compreensão e a posterior documentação de tal compreensão, que é a nossa idéia de jornalismo. Por isso, a intuição de entender o sofrimento – como disse Lynch, talvez a única unanimidade entre os editores e colaboradores da Wave – é fator primordial em nossas vidas e em nossos textos e é o que tentamos oferecer semanalmente para o leitor.
Completamos dez edições do site dando destaque para o maior blockbuster do ano, uma das maiores demonstrações de que, por trás de heróis fantasiados, a insanidade desse mundo negativo ainda persegue e incomoda a muitos de nós. Batman – O Cavaleiro das Trevas, longa de Christopher Nolan e estrelado por Christian Bale e o já memorável Heath Ledger, é muito mais do que parece, acredite. A negatividade de tantos filmes de Lynch também está ali.
Ainda insistindo em temas negativos, a estréia do filme Nome Próprio, de Murilo Salles, e o novo disco do Cansei de Ser Sexy, Donkey, são devidamente esculhambados em nossas páginas. Para polemizar, o colunista Joaquim Veloso produziu um auto-depreciativo artigo intitulado “Corintianos palhaços?”. A Carol Bataier, por sua vez, expôs uma cena brilhante de uma cidade interiorana em sua coluna. Difícil não gerar empatia. Porque ainda há, nas muito pequenas situações, resquícios de emoção sincera e verdadeira nesse dito e repetido mundo negativo.
Que Deus nos abençoe.
Aquele abraço.
Daniel Faria
Editor-chefe


