Resenhas
“Só tem mulher feia aí?”
6 de Agosto de 2008 | por Revista Wave

Precisava extravasar minha porção enfant terrible. O Cansei de Ser Sexy, que o leitor talvez desconheça, veio a calhar

por Daniel Faria

Essa, definitivamente, não será uma resenha justa, imparcial, analítica. Porque eu não aturo o Cansei de Ser Sexy, desde o nome, um auto-deboche supostamente irônico mas que perde a simpatia ao constatarmos que ninguém ali nunca teve a mínima tendência a ser sexy. Não suporto as letras, cujas baboseiras sobre baboseiras produzem mais baboseiras pseudo-feministas travestidas de insinuações sexuais juvenis, como o estúpido trocadilho de beach/bitch de uma música ainda mais estúpida chamada “Meeting Paris Hilton”.

Ouvir gente como Adriano Cintra, o baterista-baixista-guitarrista-produtor-manda-chuva-compositor da banda, terror das indie nights paulistanas há quase uma década e agora crente que é possível também aterrorizar o velho mundo, ou qualquer outra das garotinhas feias que compõe o grupo, gritando palavras de ordem sobre sexo, festas e sacanagem e tão constrangedor quanto um paralítico insistindo em jogar futebol com a galera. Não funciona, a não ser como exotismo, o que explica a atenção descabida que o grupo recebeu de parcela do jornalismo indie britânico e principalmente do jornalismo paulistano.

Musicalmente, o som é qualquer-nota. Dois acordes e meia idéia formavam uma canção inteira no primeiro disco da banda. Em Donkey, o tal novo disco, há a tentativa de soar mais sofisticado. Para quem gosta do indie-rock intragável da maioria das bandas inglesas pós-Strokes (abrindo exceção para o Arctic Monkeys, que tem um letrista decente e referências espertas, e o Long Blondes, com a persona interessantíssima de Kate Jackson e suas simulações cinematográficas dos anos 50), é possível se divertir com a faixa “Left Behind”, assim como era possível ver graça em “Off The Hook”, do álbum de estréia. O resto é sofrível, riffs de guitarra beirando o infantil, percussão repetitiva e a voz sem gás de Lovefoxx.

Claro que admiro a idéia do país ter um grupo reconhecido internacionalmente, freqüentando os principais festivais do verão europeu e estampando capas de publicações importantes do público indie em todo o mundo. Mas, ó azar, por que isso sempre acontece com bandas tão ruins como o Cansei de Ser Sexy e o Sepultura, há uma década atrás? Não se engane, os metaleiros que veneravam o grupo dos irmãos Cavalera, e os indies que se deslumbram com o grupo paulistano são, proporcionalmente, do mesmo tamanho. Ninguém notaria se desaparecessem.

Precisava extravasar minha porção enfant terrible, crítico revoltadinho, polemista à toa, como queira chamar, em uma resenha bem preguiçosa. O Cansei de Ser Sexy, que o leitor mais desatento talvez nunca tenha lido ou ouvido nada a respeito, e que não tem nada a ver com meu mau-humor, veio a calhar.

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Daniel Faria, 21 anos. Pisciano, assim como Bertolucci, Glauber Rocha, Villa-Lobos, Gabriel Garcia Márquez e Elis Regina são piscianos. Editor-chefe e idealizador da Revista Wave, já escreveu na Revista Paradoxo e na extinta Revista Bizz.

E-mail: daniel.faria.7@hotmail.com

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8 comentários

  1. Daniell Marafon diz:

    pô… coitado do Sepultura…

  2. Alexis Peixoto diz:

    Pode crer. Tremenda bola fora. Sepultura é do caráleo.

  3. admin diz:

    porra, cês dois são metaleiros? que decepção. :/

  4. Daniell Marafon diz:

    eu toquei por 7 anos em uma banda de metal e tenho ate um metallica cover pra tirar uns trocados de vez em quando haha isso responde a pergunta? mas faz anos q escutou otras mil coisas de rock a eletronico tb… mas Sepultura, poxa… hahah

  5. Tiago Lopes diz:

    Subscrevo o que foi dito sobre o sepultura.

  6. admin diz:

    decepção tripla, portanto. até o cansei de ser sexy é melhor que o sepultura.

  7. Tiago Lopes diz:

    Não, não, subscrevo o que Daniel falou no texto sobre o sepultura. Acho cocozinho.

  8. gabriel diz:

    Alguém já viu o Sepultura tocar?
    Não gostar do gênero, do tipo de som que os caras fazem, é outra coisa. Na modesta opinião, o som do Sepultura alcançou o planeta porque conseguiu fazer um som “universal”, dentro do genero que tocam, dissecando o gênero e inovando com um monte de elementos brasileiros; como eu disse, curtir o tipo de som já é outra estória..

    Sobre CSS: simplesmente divertido, acho bom do jeito que está. Inclusive, curti o Dokey. Mas isso nao importa.

    um abraço.

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