Editorial
Editorial nº 009
23 de Julho de 2008 | por Revista Wave

O dramaturgo norueguês Henrik Ibsen dizia que o lar é onde o coração do homem cria raízes. Cabe, portanto, a questão: ainda que esse homem trilhe, como um andarilho, caminhos distantes daquele que o projetou, poderá tal raiz suportar firmemente os mandos e desmandos do tempo? Como é analisar sua própria casa no exato instante em que tudo que parecemos não possuir é um lar?

Particularmente, posso afirmar que, por mais que minha mente se aventure nos mais alterados estados da consciência – que é o que acontece presentemente -, manterei sempre e mantenho uma relação quase híbrida com o meu passado, com minha família, mas acima de tudo, com a cidade em que vivo. Em tempos que tudo parece transitório, as concepções de casa, lar, abrigo, moradia, sugere emoções tão prosaicas, tão antiquadas.

Mas ora, inteligência nada mais é do que compreensão, aliada ao conhecimento adquirido, daquilo que se passa ao redor. Portanto, quando o querido amigo Gustavo Padovani traça um recorte tão profundo da cidade de Campinas, não resisto a fazer alusão a sir Edward Coke e afirmar que a casa do homem é seu castelo, e ninguém é mais indicado para entendê-lo e compreendê-lo do que o próprio morador. O leitor pode conferir o resultado na matéria de capa dessa nona edição.

Que conta ainda, para alegria de alguns e admiração de outros, com o retorno dos colunistas Joaquim Veloso – em breve momento sentimental – e Carol Bataier, sempre pronta a ofertar instantes por vezes assustadores, por vezes divinais, desse eterno mistério que é a intuição e a impulsão feminina.

Sem falsas modéstias, a edição nº 009 está repleta de bons textos. O editor de cinema, Isaac Pipano, esteve na FLIP e relata em primeira mão suas observações sobre o novo filme da argentina Lucrecia Martel. Em “Literatura”, Daniell Marafon apresenta um polêmico perfil do surrealista André Breton. Na seção “Resenhas”, Tiago Lopes aprova o novo disco do artista americano Beck. Prato cheio, para todos os (bons) gostos. Aproveite.

Que Deus nos abençoe.
Aquele abraço.

Daniel Faria
Editor-chefe

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