Cinema
Em busca da Palma de Ouro
13 de Maio de 2008 | por Revista Wave

O Festival de Cannes, o mais prestigiado e famoso do mundo, traz em sua 61ª edição alguns dos cineastas mais conceituados da atualidade.

por Isaac Pipano
Editor de Cinema

Nessa semana, dia 14, tem início a competição pela 61ª Palma de Ouro do Festival de Cannes, o maior evento cinematográfico do planeta. O festival apresentará alguns dos mais recentes filmes de consagrados diretores: Changeling, de Clint Eastwood; Adoration, de Atom Egoyan; Che, de Steven Soderbergh e The Palermo Shooting, de Wim Wenders; são alguns dos títulos que ilustram a competição pelo melhor filme. Além dos veteranos, um dos chineses mais cultuados da atualidade, Jia-Zhangke, apresentará seu 24 City. O roteirista norte-americano mais influente no mundo cult atualmente, Charlie Kaufman, é também um dos destaques do festival, estreando como diretor em Sinedoque, New York.

Contra todas as expectativas, o novo longa-metragem de Fernando Meirelles, Blindness - uma superprodução internacional que tem no cast atores como Juliane Moore e Gael García Bernal -, foi descartado perdendo posto para o novo filme de Walter Salles, Linha de Passe. A história narra a vida de quatro jovens e o sonho como jogadores de futebol. Vinicius de Oliveira, protagonista de Central do Brasil, estrela o longa e, segundo Waltinho, parece estar “batendo um bolão” após esses cinco anos de preparo técnico. O diretor também comentou que pretendeu fazer um filme “sem tiros”, uma referência à incidência na cinematografia nacional de filmes que possuam como temática a violência urbana.

Brincando com cinema
Na 60ª edição, ano passado, o presidente do festival, Gilles Jacob, convidou 35 cineastas de todo o mundo para dirigirem curtas-metragens de duração máxima de três minutos. O ecletismo das produções, que variam de Amos Gitai a Roman Polanski, Atom Egoyan a Hou Hsiao-Hsien, Theodoros Angelopoulos aos irmãos Coen, permitiu uma multidiversidade de gêneros e explorações sobre o mote “A sensação quando as luzes se apagam e começa o filme…”. A coletânea, dedicada ao mestre italiano já falecido Federico Fellini, foi chamada Chacun son Cinéma, algo como A cada um seu cinema ou Cada um com seu cinema.

Adaptados com o suporte dos longas-metragens, a experiência pouco usual de dirigir um filme com tão curta duração permitiu aos realizadores inovar em relação a recorrência de suas temáticas e das opções estéticas. Um exemplo disso é que, soando como brincadeira, Lars Von Trier e Roman Polanski produziram duas comédias. Walter Salles representou o Brasil com um curta protagonizado por Caju e Castanha e, embora tenha sido o mais aplaudido em Cannes, não traz surpresas pra quem já conhece a dupla de repentistas. O episódio produzido por David Lynch não entrou na seleção oficial por questões ligadas aos direitos autorais do filme, mas pode ser encontrado na internet através do nome Absurda. As características do curta são basicamente as mesmas que acompanham a estética de Lynch em seus longas, baseadas no insólito e no absurdo.

Em alguns dos curtas, os cento e oitenta segundos parecem interromper um processo no qual estamos imersos, como se o filme acabasse antes mesmo que entendêssemos aonde iria chegar, mas em sua maioria têm-se filmes bem acabados e, no mínimo interessantes. A reflexão é tencionada pela atual situação do cinema mundial, sobre a própria relevância do Festival de Cannes e na contemplação do cinema e a experiência onírica que se têm quando as luzes se apagam.

Enquanto o Festival de Cannes 2008 não acontece e os ânimos exaltados aguardam na torcida por um belo festival, vale a pena assistir a Cada um Com seu Cinema. Uma forma de percorrer o mundo do cinema em 3 minutos, e desfrutar de alguns de seus maiores realizadores da atualidade.

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