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Ronaldo e os ronaldecos
7 de Maio de 2008 | por Joaquim Veloso
Que semana! Ronaldo comemora mais uma bola dentro
Eu sou, supostamente, um cronista esportivo. Fui escolhido a dedo, segundo o Daniel Faria, para esbanjar meus conhecimentos nas páginas virtuais da Revista Wave. Pois bem. Na última semana, imaginando o assunto da próxima coluna, discuti comigo mesmo sobre algumas diferentes modalidades esportivas e até pratiquei-as, afinal, ninguém é de ferro, só o Robert Downey Jr.
Mas confesso que, em instante algum, passou-me pela minha delirante imaginação libertina usufruir de certas práticas esportivas que o meu atacante preferido, Ronaldo, O Fenômeno, achou lícito praticar em um motel fuleiro da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. No meu futebol, uma bola já é mais do que suficiente.
Sinceramente, não gostaria de insistir em mais esse assunto. Tenho horror a esses escândalos simultâneos, que você só escapa se fugir para Cuiabá, porque lá não existe televisão e jornais e as pessoas ainda vivem em ocas. E o bananão, esse país do terrir, como diria Maurício de Souza, está se especializando em bizarrices sensacionalistas que só encontram paralelo na indecente imprensa inglesa.
Amy Winehouse, aquela candanga, caminhando drogada e descalça na madrugada londrina; ora, o que é uma cantora junkie mediana comparada a um padre imbecil que queria voar em balões e sumiu? Ou um famoso boleiro que se envolve com três travestis feios feito o diabo e depois reclama que a mídia sensacionalista dá mais destaque ao fato do que a conquista da Copa do Mundo?
Sem falar no caso da Isabela, que eu esqueci o sobrenome porque tenho o instinto de desligar a TV toda vez que ouço seu nome, porque quem gosta de ouvir a mesma coisa centenas de vez é fã de carnaval baiano. Ê padre imbecil, por que não emprestou os balões para a menina?
Tenho algumas hipóteses e vou até falar uma: o Brasil está virando país de primeiro mundo, a economia vai bem e então a imprensa se transborda com escândalos estúpidos como esses, já que notícias políticas e sociais são desnecessárias. Tudo azul. Agora, você finge que acredita para eu não precisar gastar meus neurônios debatendo sobre o assunto, porque de Isabela, Ronaldo e padres, o inferno está cheio.
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Vamos ao futebol propriamente em si, aquele praticado com uma única bola. Que Palmeiras campeão paulista que nada, que Flamengo campeão carioca que nada. Sim, vitórias merecidas, times bem montados e junto com o Internacional de Porto Alegre, que aplicou uma sacolada de oito gols para cima do Juventude no Campeonato Gaúcho, e do Cruzeiro, do ótimo atacante Marcelo Moreno, são os favoritos na disputa do Campeonato Brasileiro de 2008.
Mas enfim, a melhor coisa da semana passada foi meu Corinthians vencendo o Goiás por quatro tentos a zero e o gigante Felipe afirmando que uva verde é mais gostosa que uva roxa. A fé está na cobra coral, eu já dizia na minha primeira participação aqui. Pois reafirmo. A fé está no Corinthians.
E ficamos por aqui, porque estou corrosivo demais e nessas horas, só descansando sob um coqueiro verde, sombra e água fresca. O problema é achar um lugar assim nessa implacável terra de meu Deus. Senão vou ser obrigado a fazer mais um trocadilho com bolas para encher espaço.
Até a próxima.
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Adendo: essa história de fechamento jornalístico me deixa louco. Em um dia, estou ultrapassado. E como não poderia deixar passar, venho por meio deste noticiá-los, meus caros: o Corinthians venceu novamente na Copa do Brasil, dessa vez contra o São Caetano, com dois gols do argentino Herrera, que parece disposto a mandar às favas aqueles que o apelidaram de quase-gol. Um empate na próxima terça-feira, em Ribeirão Preto coloca o time de Parque São Jorge nas semifinais da competição. E afirmo: Corinthians ou Internacional levam o título.
E outra notícia que o maldito deadline, como dizem vocês, jornalistas, atropelou-me. Os Ronaldecos, apelido que um espirituoso amigo concedeu às meninas do Fenômeno, prestaram depoimento nessa terça-feira, dia 7, afirmando que a história era uma inverdade, eufemismo para cascata, mentira, trapaça e blábláblá. Ou seja, nada de sexo, nada de drogas. E eu me pergunto: de que adianta isso agora, que a carreira do menino foi exaustivamente manchada? Vou discorrer ainda sobre o absurdo que escândalos de caráter sexual assumem na nossa civilização. Mas não hoje, porque a coluna já ultrapassou os caracteres habituais.
Então, até a próxima, parte II.


