Colunas
Ressaca vindoura
7 de Maio de 2008 | por Carol Bataier

Foi necessária mais de uma taça de vinho pra chegar perto.

E depois, quase um litro todo pra manter a conversa.

E ela ria, mexia nos cabelos, arrumava a alça que insistia em mostra aquele pedacinho a mais de ombro: um presente!

Depois, precisou de champanhe pra conquistar de vez.

Conquistada, foram vinhos em jantares e conhaques em fins de noite.

Um dia então precisou sair sozinho.

E não era preciso, mas bebeu uísque olhando pra’quela morena de mini-saia.

E foram precisos três copos pra poder esconder a aliança e falar três ou quatro palavras no ouvido da moça.

E duas taças de champanhe foram suficientes para ela carimbar a gola da camisa dele com seu batom vermelho.

E o uísque e o champanhe da noite anterior foram suficientes para ele se esquecer das marcas e entrar em casa com a camisa.

E ela, a amada, nem precisou de bebida ou cigarro pra sair batendo a porta.

E naquela noite nem o dono do boteco da esquina soube dizer quantas doses de pinga colocou no copo do homem que chorava no balcão.

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