Opinião
Roda mundo, roda gigante
28 de Abril de 2008 | por Revista Wave

As eleições municipais de 2008 prometem polarizar cada vez mais a formação de dois partidos: o petista e o anti-petista.

por Daniel Faria

Editor-chefe

Após todo o falatório a respeito da suposta desistência de Geraldo Alckmin ao cargo de prefeito de São Paulo, a cúpula nacional e a direção municipal do PSDB decidiram formalizar o lançamento da candidatura do ex-governador do estado. Assim, Alckmin deve entrar na disputa com a favorita nas pesquisas Marta Suplicy (PT) e com o atual prefeito Gilberto Kassab (DEM). O anúncio oficial da candidatura será feito no dia 5 de maio.

A situação só tende a favorecer a candidata petista. Em entrevista ao blog de Josias de Souza, da Folha de S. Paulo, o líder da bancada de vereadores tucanos, Gilberto Natalini, afirmou que “o pior dos mundos é o retorno do PT ao comando da cidade” e que “duas candidaturas [a de Alckmin e Kassab, de partidos aliados] podem facilitar a vitória do PT”. Reiterou ainda que seus liderados querem a manutenção da aliança tucano-democrata.

Alckmin corre, dessa maneira, o risco de disputar a eleição municipal com a base aliada enfraquecida. O PMDB, de Orestes Quércia, já se solidarizou com a candidatura de Kassab. Com exceção dos grandes peixes do partido tucano, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o líder no Senado, Arthur Virgílio e o governador de Minas, Aécio Neves, todos com Alckmin, o que se vê no PSDB é a velha discordância de idéias e de planejamento para as campanhas.

Do outro lado, Kassab estaria sendo prestigiado pelo governador José Serra, que acredita no potencial de reeleição do atual prefeito, e que com a manutenção da aliança entre DEM e PSDB, potencializaria sua pretensões para as eleições presidenciais de 2010. Alckmin seria duplamente prejudicado, já que não disporia tanto do apoio das máquinas do Estado e quanto do município.

Inegável, porém, que o prestígio popular de Kassab está aquém ao adquirido por Alckmin nos últimos anos. Em pesquisa divulgada pelo Datafolha no dia 30 de março, o atual prefeito registrou apenas 13% das intenções de voto, contra 28% de Alckmin. Já a petista Marta Suplicy liderou praticamente todas as pesquisas realizadas até o momento.

A ministra do Turismo possui apoio irrestrito da cúpula do partido e de representantes diretos do Governo. Parlamentares da bancada paulista do PT no Congresso, vereadores paulistanos, deputados estaduais de São Paulo e os senadores Aloízio Mercadante e Eduardo Suplicy reuniram-se recentemente com Marta, solicitando sua candidatura à Prefeitura de São Paulo, para que se possa iniciar o quanto antes a política de alianças.

Depois de décadas de derrotas flagerosas nas eleições, o PT parece ter finalmente aprendido os segredos da máquina eleitoral. Contra adversários fragmentados e desconexos, as eleições municipais de 2008 polarizam cada vez mais a formação de dois partidos: o petista e o anti-petista. Cabe aos segundos adquirirem – e rapidamente - unidade e identidade própria para fazer frente aos primeiros.

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