Editorial
Editorial nº 003
5 de Abril de 2008 | por Revista Wave

Olá

The press is depress”, afirmou Hunter Thompson, aquele para qual o jornalismo e objetividade combinavam tanto quanto Lady In Satin, de Billie Holiday, em micareta baiana. A pressão atinge a todos nós, meus caros amigos, e um emaranhado delas sobrevoaram nossas cabeças nesse mês de março. Resultado: o nosso promissor início foi bruscamente interrompido por erros de conexão com o serviço de hospedagem, problemas de configurações internas e diversos problemas pessoais. Era o tempo errado para começar.

Tem nada como um tempo após um contratempo, para todos os nossos corações. E agora aqui estamos, com uma equipe de extrema qualidade, e prontos a conceber com prontidão, regularidade e a intrínseca qualidade todas as nossas vindouras edições. Acredito que esta terceira é a nossa melhor edição e também a mais difícil. Há todo um clima de descontentamento camuflado em nós, os aspirantes, e as metas vão se tornando a cada instante mais contraditórias.

O que fazer em relação à mediocridade exterior? Trancar-se em uma bolha com seus comparsas e reclamar que ‘o inferno são os outros’ ou insistir em doutrinar, dialogar com as paredes esperando que um tijolo responda? Juro que essa dúvida tem me deprimido de maneira a perturbar minhas relações sociais. A arte de reclamar – e apenas reclamar – é deveras tentadora, mas restringe seu campo de atuação e não é para isso que estudamos e escrevemos, certo? Por outro lado, debater-se com a multidão inerte é frustrante. Seja aqui ou seja em qualquer grande veículo de comunicação, acredite-nos, a mediocridade impera.

Enfim, que seja. E escrevamos, portanto, para nosso bel-prazer, para os que se interessem e para eventuais leitores que se atraiam por suas ligações com determinados assuntos. Acreditamos que existam outros por aí dispostos a entender a ligação de Chaplin com a multidão, em um belo texto de Cesar Augusto Rodrigues, a (re)descobrir Pérola Negra, a grande estréia de Luiz Melodia, e entender porque Andy Warhol é um dos principais nomes da arte do século passado. São os destaques, dentre outros, dessa complexa edição.

É o que temos para oferecer no instante e é a linha que pretendemos seguir. Porque jornalismo é uma questão de ênfase, não é, Paulo Francis? Vamos todos então, coleguinhas, enfatizar aquilo que temos de melhor com aquilo que há de pior no receptor. Ou o contrário, que pode ser bem divertido. É o que George Orwell dizia sobre se relacionar publicamente com as grandes platéias: “you are almost compelled to speak for the benefit of what you estimate as the stupidest person present“. Definamos, pois, com o tempo, quem são os nossos “the stupidest person”.

Que Deus nos abençoe

Daniel Faria
Editor-chefe

foto: Roberto Ortega

Tags: ,

1 comentário

  1. Pedro Veloso diz:

    Vai que é tua, Faria!

Deixe um comentário