Resenhas
The Bedlam in Goliath - Mars Volta
1 de Março de 2008 | por Revista Wave


The Bedlam in Goliath - Mars Volta
Universal

Mutirão de músicos americanos lançam quarto disco com canções progressivas e barulhentas

por Gustavo Padovani

Uma banda que faz músicas longas e elaboradas, com pitadas de progressivo e solos de guitarra em pleno século XXI é um perigo. A proposta corre riscos de ser taxada de pomposa e obsoleta. Tudo isso seria uma verdade incontestável se não existissem os americanos do Mars Volta. Parte do sucesso do grupo no mundo indie deve-se ao passado dos mentores Cedric Bixter (vocais) e Omar Rodriguez (guitarra). Na banda anterior (a ótima At The Drive In), desenvolveram massas sonoras barulhentas, que esboçava punk e hardcore de uma forma elaborada.

Quando o ATDI acabou, o guitarrista e o vocalista rumaram para territórios mais expansivos, mas sem perder a crueza e a intensidade de antes. Ao manter esse importante detalhe, conseguiram se distanciar da propensão à um virtuosismo desmedido e técnico que geralmente transforma audições em suplícios. Mesmo que trabalhem com símbolos comuns ao rock progressivo – como suítes musicais e discos conceituais -, o Mars Volta faz sua própria leitura, posicionando-se do lado de fora do gênero.

Depois de dois álbuns excelentes, o banda entregou o fraco Amputhecture (2006). Munido de uma insossa psicodelia, o disco parecia anêmico, sem a urgência de outrora. Felizmente, o problema foi solucionado no novo The Bedlam In Goliath (2008). O estilo agressivo do novo baterista Thomas Pridgen, tornou a banda mais dinâmica e pesada, como na sônica “Wax Simulacra” e no petardo chamado “Goliath”. As influências latinas de Cedric e Omar estão bem representadas na percussão e nos metais colocados em momentos precisos, como na faixa de abertura “Aberinkula”.

Se este não é o melhor álbum feito pelo Mars Volta, é aquele que consegue com maior eficiência apresentar o indomável caldeirão de influências da banda. Com o novo disco, aparece uma banda sem medo de trilhar caminhos tortuosos e controversos em busca de sua sonoridade.

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